Como o PPBio AMAR estuda a biodiversidade na REBIO Gurupi?

   A biodiversidade amazônica é uma das mais ricas do planeta, mas também uma das mais ameaçadas. Para garantir sua conservação, é essencial compreender seus padrões e dinâmicas. No Programa de Pesquisa em Biodiversidade da Amazônia Maranhense (PPBio AMAR), utilizamos a metodologia RAPELD para monitorar e estudar a biodiversidade na Reserva Biológica do Gurupi (REBIO Gurupi), localizada na Amazônia Oriental.

     A biodiversidade amazônica é uma das mais ricas do planeta, mas também uma das mais ameaçadas. Para garantir sua conservação, é essencial compreender seus padrões e dinâmicas. No Programa de Pesquisa em Biodiversidade da Amazônia Maranhense (PPBio AMAR), utilizamos a metodologia RAPELD para monitorar e estudar a biodiversidade na Reserva Biológica do Gurupi (REBIO Gurupi), localizada na Amazônia Oriental.

Para isso, usamos dois módulos de monitoramento, onde aplicamos um rigoroso protocolo de amostragem. Esses módulos fornecem informações cruciais sobre a fauna, a flora e a saúde ambiental da região, permitindo análises comparativas entre áreas com diferentes históricos de impacto ambiental.

O que é o método RAPELD?

O RAPELD (do inglês Rapid Assessments and Long-Term Ecological Research) é um sistema padronizado de monitoramento da biodiversidade. Esse método permite a comparação de dados em diferentes biomas e a integração com outras pesquisas realizadas na Amazônia (Magnusson et al., 2005)

A metodologia combina dois princípios fundamentais:

  • Amostragem rápida (RAPID ASSESSMENT): Coleta inicial de dados para um panorama geral da biodiversidade.
  • Pesquisa ecológica de longo prazo (LONG-TERM ECOLOGICAL RESEARCH): Monitoramento contínuo para detectar mudanças no ecossistema ao longo do tempo.

A principal vantagem do RAPELD é sua organização espacial estruturada, o que permite análises estatísticas robustas e comparáveis entre diferentes locais.

Como organizamos os estudos na REBIO Gurupi?

Na REBIO Gurupi, estabelecemos dois módulos RAPELD na base Norte da reserva. Cada módulo contém parcelas de estudo, que são áreas padronizadas onde coletamos dados ambientais e biológicos.

Os módulos possuem:

  • Módulo I: Instalado em uma área sem queimadas recentes, com 10 parcelas uniformes e 5 parcelas ripárias.
  • Módulo II: Instalado em uma área com histórico de queimadas, com 10 parcelas uniformes e 2 parcelas ripárias.

Essas parcelas foram distribuídas ao longo de trilhas de 5 km, garantindo a amostragem em diferentes tipos de vegetação e gradientes ambientais.

Os tipos de parcelas RAPELD

As parcelas utilizadas no RAPELD na REBIO Gurupi são de dois tipos principais:

Parcelas Uniformes

  •  Seguem as curvas de nível do terreno, minimizando variações de altitude.
  • Possuem 250 metros de comprimento e são divididas em segmentos lineares de 10 metros.
  • São essenciais para o estudo de vegetação, solo e organismos terrestres.
  • Registramos as coordenadas, azimute (direção) e declividade vertical.

Parcelas Ripárias

  •  Seguem as margens dos corpos d’água, como rios e riachos.
  • Também têm 250 metros de comprimento, mas são ajustadas para manter uma distância mínima de 1,5 metros da água.
  • Importantes para avaliar a relação entre corpos d’água e biodiversidade.
  •  Além dos registros das parcelas uniformes, incluímos a declividade horizontal.

Essas duas abordagens nos permitem entender como diferentes habitats influenciam a biodiversidade e quais impactos ambientais estão em curso.

O que podemos descobrir com esse estudo?

Os módulos RAPELD na REBIO Gurupi fornecem informações valiosas sobre:

Novas espécies ainda não descritas pela ciência.
Espécies ameaçadas, permitindo ações de conservação.
Impactos ambientais, como os efeitos das queimadas na biodiversidade.
Recuperação de ecossistemas, auxiliando no planejamento de restauração ambiental.

     Os dados coletados serão integrados a bancos de dados nacionais e internacionais, permitindo comparações com outras áreas monitoradas pelo PPBio e fornecendo suporte para a criação de políticas de conservação eficazes.

Por que esse monitoramento é essencial?

     A Amazônia Oriental, especialmente a região onde a REBIO Gurupi está localizada, sofre com pressões intensas de desmatamento e queimadas. Esse monitoramento é fundamental para:

✅Gerar conhecimento científico sobre a biodiversidade local.
✅Detectar tendências ecológicas ao longo do tempo.
✅Fornecer dados para estratégias de conservação e restauração.

Cada parcela RAPELD é uma peça essencial no entendimento desse ecossistema. Sem dados precisos, não há conservação eficiente!

Referência:
Magnusson, W. E., Lima, A. P., Luizão, R., Luizão, F., Costa, F. R. C., Castilho, C. V., & Kinupp, V. F. (2005). RAPELD: A modification of the Gentry method for biodiversity surveys in long-term ecological research sites. Biota Neotropica, 5(2), 19-24.